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Como a nicotina afeta a nossa saúde?

A dependência de nicotina e o tabagismo a ela associado, é uma das causas de mortes evitáveis mais comuns no mundo ocidental.

Embora tenham sido iniciadas várias campanhas de informação sobre os efeitos nocivos do fumo do tabaco e mesmo tendo se tornado um acto socialmente desajustado, uma percentagem significativa da população europeia ainda preserva este hábito nefasto.

A maioria dos fumadores continua a manter os seus hábitos inalterados, porque a causa da manutenção do vício é a dependência da nicotina e do medo de sintomas de abstinência.

O que é a nicotina?

A nicotina é um alcalóide solúvel em água, extraído pela primeira vez em 1828, pelos alemães Christian Wilhelm Posselt (médico) e Karl Ludwig Reimann (químico).

Quando se encontra em meio alcalino, a nicotina tem propriedades lipofílicas. Esta é a razão pela qual a nicotina a pH fisiológico (pH=7.3) atravessa as membranas celulares.

Estrutura química da nicotina

Não são só as plantas de tabaco que produzem nicotina, mas também outras solanáceas. A nicotina foi usada no passado como inseticida, pesticida e também para afastar predadores. Contudo, este tipo de aplicação está atualmente proibida devido à toxicidade do composto.

No corpo humano, a nicotina é metabolizada no fígado. Isto produz, entre outras substâncias, o produto de degradação cotinina, que pode ser utilizado para determinação sanguínea da absorção de nicotina. A excreção da nicotina convertida ocorre por via biliar, saliva, suor, urina e pelo rim.

Receptores nicotínicos de acetilcolina no corpo humano

Os receptores de acetilcolina nicotínicos estão localizados nas terminações neuromusculares humanas (onde é feita a transmissão do estímulo do nervo para o músculo). Como o próprio nome indica, estes receptores são activados pelo neurotransmissor acetilcolina, mas também pela nicotina. Uma vez ativados, eles são permeáveis a iões, ou seja, partículas carregadas.

Os receptores de acetilcolina nicotínicos, na junção neuromuscular, são bastante estudados em virtude da sua importância na manutenção da saúde (a miastenia gravis, por exemplo, é uma doença caracterizada pela destruição auto-imune destes receptores e tem consequências graves para os seus portadores).

Atualmente, os receptores nicotínicos de acetilcolina são um campo de estudo particularmente interessante, principalmente devido ao seu papel na memória, na aprendizagem, atenção, percepção e atenção. Estudos que focam na relação entre estes receptores e demência, Alzheimer e TDAH são também o alvo de alguns grupos de investigação na área.

Os efeitos farmacológicos da nicotina

O efeito farmacológico da nicotina está diretamente relacionado com os sistema nervoso central, sistema nervoso autónomo simpático e parassimpático.

Além do seu efeito no corpo e na mente, outros efeitos da nicotina estão a ser avaliados, em particular, saber se existe alguma relação entre a nicotina e a incidência de cancro ou tabaco e cancro. Discute-se se a nicotina, além da sua influência no vício, poderá causar efeitos cardiovasculares, respiratórios ou digestivos semelhantes aos provocados pelas substâncias prejudiciais presentes no fumo do tabaco.

Na realidade, alguns dados de laboratório têm vindo a demonstrar que a nicotina pode danificar material genético. Tem sido demonstrada a associação desta substância com radicais reativos de oxigênio e posterior morte das células nervosas estudadas.

Contudo, ainda não existem provas de que a nicotina sem a adição de outras toxinas tem uma relação direta com o aparecimento de cancro. No entanto, em pacientes que estejam a receber tratamento para alguns tipos de cancro, existe a suspeita de que a nicotina não só perturba a cicatrização de feridas, como também deteriora a resposta à quimioterapia ou radioterapia.

Nicotina e epigenética

Durante as últimas décadas, a epigenética surgiu como um campo de estudo que cada vez mais tem interessado os investigadores. A pergunta fundamental colocada por esta área do saber é: por que alguns genes são dominantes e outros não? Muitas das respostas a esta pergunta são dadas pelas palavras metilação e acetilação do DNA, que determinam se os genes podem ser ligados ou desligados.

Em relação à nicotina, está em debate se o DNA pode sofrer alterações epigenéticas causadas pela absorção da substância em idades mais jovens, de modo a que adolescentes se tornem ainda mais susceptíveis a esta e outras drogas, como álcool ou até mesmo cocaína.

Além disso, acredita-se que o sistema de recompensa do organismo, no qual a dopamina tem um papel preponderante, é mais susceptível à nicotina durante a idade jovem, o que resulta numa dependência mais rápida nesta fase da vida. Mais ainda, a nicotina pode aumentar a impulsividade em adolescentes e reduzir o seu tempo de atenção. As modificações epigenéticas irão torná-los também mais suscetível à dependência da nicotina. Neste mecanismo acredita-se que o gene CYP2A6, que também codifica a enzima citocromo P450, é de extrema importância.

Nicotina – um veneno para o ser humano

A nicotina pode, de facto, ser considerada, um veneno para os seres humanos. A sua administração directa no organismo provoca irritação, sensação de queimação na boca e garganta, e a produção de saliva é aumentada. Podem ainda ocorrer náuseas, vómitos, dor abdominal, diarreia e tonturas. Na intoxicação grave, são registados tremores, podendo ocorrer o aparecimento de uma coloração azulada na pele e nas membranas mucosas (cianose). Nestes casos, podem ocorrer alterações de consciência e os indivíduos podem mesmo entrar em colapso e coma. Em casos de gravidade extrema é possível ocorrer paralisia dos músculos respiratórios e subsequente morte.

Considera-se como DL50 (isto é, a dose para a qual 50% das pessoas que consomem morrem) um lote de 30 a 60 mg de nicotina. Em crianças, esta quantidade é de apenas 10 mg. Isto significaria que engolir um único cigarro, pode ter consequências fatais para uma criança. No entanto, estes números, datados de 1906 e publicados Rudolf Kobert num dos seus livros, têm vindo a demonstrar-se duvidosos e carecem de um maior suporte. Valores mais recentes, estimam a dose letal como estando na gama de 0,5 a 1 g de nicotina.

A verdade é que muitos fumadores estão conscientes de que o tabagismo tem consequências graves para a sua saúde. Além disso, é comum constar nas embalagens de cigarros informações claras sobre as consequências dramáticas do seu consumo. Imagens do caixão de uma criança (com a frase adicional "Fumar pode matar o seu filho") ou de uma traqueostomia (acesso artificial para a traqueia que pode ser necessário implementar devido ao consumo de cigarros) pretendem sensibilizar o usuário sobre as consequências do fumo a longo prazo. No entanto, o vício à nicotina é maior do que a consciência dos riscos a ela envolvidos

Os efeitos físicos da nicotina

A ação da nicotina no sistema nervoso simpático ativa o corpo para a chamada "luta ou fuga", isto é, acelera o ritmo cardíaco e aumenta a quantidade de sangue bombeado a cada batimento do coração. Existem outros efeitos da nicotina que também estão envolvidos na aceleração do batimento cardíaco: aumento da libertação de adrenalina e de hormona antidiurética (inibe a produção de urina) que atuam de forma sinérgica.

A adrenalina tem também outros efeitos, aumentando o estreitamento dos vasos sanguíneos o que tem uma ação direta na pressão arterial. Além disso, aumenta a decomposição da gordura e proporciona perda de peso.

Perante a activação do sistema nervoso simpático, o sistema nervoso parassimpático também é accionado: a nicotina promove a actividade intestinal, o que pode levar a diarreia. Outros efeitos possíveis são náuseas e vómitos, uma vez que a acção da nicotina se pode estender até ao centro emético. Além disso, o próprio sabor do cigarro pode aumentar a náusea. Mais ainda, o cigarro diminui também o sabor e olfacto.

Efeitos da nicotina sobre o corpo

Problemas mais graves podem também ser despoletados pela nicotina: esta substância tem um efeito direto na coagulação do sangue o que aumenta o risco de trombose. A nicotina pode ainda pressionar os receptores de dor, o que resulta num aumento da sensibilidade à dor.

A nicotina aumenta o risco de diabetes mellitus?

Em estudos feitos em animais, a administração de nicotina provocou uma redução nas células beta do pâncreas, essenciais ao mecanismo de atuação da insulina no metabolismo do açúcar. A deficiência desta hormona é característica da diabetes mellitus, especialmente do tipo 1.

A diabetes mellitus tipo 1 ocorre quando mais de 80% das células beta por reação auto-imune ou porque os caminhos idiopáticos foram destruídos.

Se o efeito da nicotina sobre o ser humano for equivalente ao observado em animais, a nicotina pode aumentar o risco de desenvolvimento de diabetes mellitus.

As relações entre cancro e nicotina

O risco de cancro de lábios, cavidade oral, esôfago e traqueia, pulmões, aparelho digestivo e do trato urinário em fumadores aumentou consideravelmente nos últimos anos, quando comparado com não-fumadores. Do mesmo modo, também se observou um risco acrescido de cancro do fígado, do pâncreas e da mama. Contudo, este efeito é atribuido ao cigarro como um todo e, até agora, nenhuma evidência clara de efeitos cancerígenos da nicotina, foi fornecida.

Os investigadores acreditam que a nicotina pode actuar como um "promotor". Um promotor é uma substância que favorece o crescimento de uma célula geneticamente modificada, não sendo em si um agente cancerígeno. O efeito do promotor é reversível e se o seu consumo for interrompido o crescimento das células não é mais promovido. Em contraste, a mutação no gene para a eliminação da substância causadora de cancro é retida.

Doença de Parkinson e nicotina

A doença de Parkinson é causada por uma desordem do sistema de dopamina. Nos pacientes com esta doença há uma diminuição acentuada na produção de dopamina. Este neurotransmissor tem um papel de extrema importância na realização dos movimentos voluntários e automáticos do corpo. Na falta desta substancia, particularmente numa pequena região encefálica chamada substância negra, o controle motor do indivíduo é perdido. As consequências são a ocorrência de sinais e sintomas característicos como: tremores, acinesia (lentidão e diminuição dos movimentos voluntários); rigidez dos músculos, principalmente nas articulações, instabilidade postural relacionada com perda de equilíbrio.

Balfour e Fagerstrom (1996) descobriram que os doentes de Parkinson experimentaram um alívio de curto prazo nos seus sintomas, na presença de nicotina. Estes resultados, numa primeira análise poderiam demonstrar que nicotina poderia melhorar a libertação de dopamina. No entanto, com o agravamento da doença, o efeito da nicotina diminui e deixaria de apresentar resultados significativos.

Relação entre nicotina e Disfunção Erétil

A disfunção erétil pode ser causada por problemas psicológicos e mentais, ou por problemas físicos. Uma grande quantidade de pesquisas demonstrou uma ligação entre o tabaco e a impotência. Os homens que fumam têm uma ou duas vezes mais chances de desenvolver disfunção erétil que os não fumantes, relata um artigo publicado na edição de agosto do Journal de Medicina Sexual.

Redução do fluxo sanguíneo: Ereções acontecem com o aumento do fluxo sanguíneo para o pénis. O sangue engorge o tecido esponjoso do pênis e faz com que ele se torne ereto. Numerosos estudos têm demonstrado que fumar cigarros diminui o fluxo sanguíneo para o pénis e perturba o controle do corpo do fluxo sanguíneo para o pénis. Essas mudanças reduzem a capacidade física do membro em ficar ereto.

Um estudo publicado na edição de agosto de 2008 do Jornal de Medicina Sexual demonstrou que a administração da nicotina sozinha, sob a forma de goma de nicotina, reduziu significativamente a excitação sexual em homens. Isto indica que a nicotina é uma das principais causas da ligação entre fumar e disfunção eréctil.

Os efeitos psicológicos da nicotina

Os efeitos da nicotina sobre a psique são vastos mas, de um modo geral sabe-se que a maior interferência se dá por aumento da actividade de regiões cerebrais individuais, principalmente no córtex pré-frontal. O aumento da libertação de dopamina cria uma sensação de bem-estar, sendo esta libertação ativada através núcleo accumbens, o chamado sistema de recompensa. Este processo está intimamente ligado com o desenvolvimento de dependência. Além disso, a dopamina também suprime a fome. Ao consumo de nicotina está também associada a libertação de noradrenalina, que atua na restrição do apetite e mantém o estado de alerta.

É também importante referir que o neurotransmissor acetilcolina (não esquecer a relação da nicotina com os receptores de acetilcolina) tem uma associação com a manutenção do estado de alerta, bem como com o desempenho mental. Estão também a ser estudadas as relações entre a nicotina e serotonina na regulação do apetite e do humor, bem como com o GABA (ácido gama-aminobutírico) e a beta-endorfina, com efeito ansiolítico (redução da sensação de stress).

É provável que ao parar de fumar, ocorram falhas em todos estes sistemas bioquímicos que controlam o bem-estar psicológico. Nestas situações não se está a falar de dependência física ou química directa, mas de dependência emocional.

Surgimento da dependência de nicotina

Devido à interação da nicotina com sistemas bioquímicos relacionados à saúde psicológica, acredita-se que o desenvolvimento da dependência esteja relacionado com o sistema de recompensa. Estudos demonstram que o sistema de recompensa teve um papel muito importante na evolução, nomeadamente no que diz respeito à atividade sexual e ingestão de alimentos, estando associado à produção das chamadas "substancias da felicidade". Uma vez que estas actividades contribuem para a preservação das espécies, o sistema de recompensa é fundamental na continuidade das mesmas.

dependência da nicotina no cérebro

No entanto, os mesmos processos estão envolvidos no consumo de drogas e substancias que provocam vícios, como é o caso da nicotina. O tabagismo está associado a um forte sentimento de bem-estar, o que promove uma repetição da ação.

No entanto, o problema é que os receptores tornam-se menos sensíveis ao longo do tempo. O resultado é que é necessária uma frequência maior no restabelecimento de nicotina para se fazer sentir um efeito equivalente, prevenindo os sintomas de abstinência. Os sintomas de abstinência da nicotina podem incluir agressão, frustração, medo, mau humor e distúrbios de concentração, permanecendo de uma a quatro semanas, após parar de fumar. Em casos excepcionais, os sintomas podem permanecer por vários meses.

Dependência da nicotina e transtornos psiquiátricos

Pessoas com doenças mentais são significativamente mais propensas a fumar do que indivíduos mentalmente saudáveis.

O números de fumadores existente entre alcoólicos, toxicodependentes e doentes esquizofrénicos, pode ser duas a três vezes maior do que na população saudável.

Pessoas com depressão têm o dobro da probabilidade de se tornarem fumadoras.

A principal razão destes números está relacionada com o facto do tabagismo ter um efeito antidepressivo, sendo o consumo de nicotina uma espécie de auto-medicação.

Sabe-se que a serotonina desempenha um papel importante na depressão, ansiedade e transtorno obsessivo-compulsivo. Neste contexto, a nicotina alivia o impacto da doença mental, fornecendo sensações temporárias de prazer e calma. Por este motivo, a reincidência de fumadores com doenças mentais em comparação a individuos saudáveis é bastante maior: três quartos dos fumadores com um quadro prévio de depressão grave, desenvolvem sintomas de abstinência depressivos, enquanto que em doentes saudáveis a ocorrência é de apenas 30%.

Quando o assunto é esquizofrenia, a nicotina pode afetar vários sintomas da doença, nomeadamente o retraimento social. A esquizofrenia é uma desordem relacionada com sistema de dopamina, que também tem relação com o mecanismo de ação da nicotina.

Hábito ou dependência?

O potencial risco de vício para a nicotina é grande, especialmente quando esta é inalada, devido ao rápido aumento dos seus níveis no cérebro.

Contudo, existem diversos estudos que pretendem defenir se existe uma real dependencia quimica da nicotina ou se esta representa apenas um hábito. Em 2010, Regina M. Benjamin afirma que o potencial viciante da nicotina pode ser comparado ao do conjunto cocaína e heroína. Porém, em contrapartida, pesquisas realizadas na Alemanha de 2006-2009 apresentam análises que mostram que apenas cerca de 30% dos fumadores estudados eram realmente viciados em nicotina.

A questão que os cientistas colocam é: a nicotina traduz-se efetivamente num vicio ou é apenas um hábito?

Contudo, qualquer que seja a resposta, parar fumar é urgente. Nesse contexto, a terapia de reposição de nicotina com adesivos, gomas de mascar ou sprays tem-se demonstrado bastante útil para quem enfrenta os sintomas de abstinência. Porém, em primeiro plano, devem ser sempre consideradas as terapias comportamentais.

Efeitos de abstinência de nicotina

Quando esta droga é retirada a quem a consome com frequência, os sintomas que são listados como efeitos adversos do consumo de nicotina passam a constituir sintomas de abstinência. Em termos emocionais, estes sintomas incluem:

  • Inquietação,
  • Problemas de concentração,
  • Depressão,
  • Irritabilidade,
  • Baixa tolerância à frustração.

Em termos físicos, ocorre um aumento do apetite e ganho de peso. Este ponto constitui uma das principais razões para que, em particular, as mulheres não queiram parar de fumar ou em que parar de fumar está associado com uma grande ansiedade. Para a redução de sintomas de abstinência deve ser considerado o uso medicação.

Medicamentos para o alívio dos sintomas de abstinência de nicotina

A vareniclina é um dos medicamentos usados para o alívio dos sintomas de abstinência de nicotina. Esta substancia interage com os receptores de nicotina, imitando o seu efeito e por esse motivo bloqueia os sintomas de abstinência. A vareniclina ou Champix se for consumida em simultâneo com nicotina de cigarro, inibe o sistema de recompensa induzido pelo consumo de tabaco e este deixa de ter um sabor aprazível para quem o consome.

Contudo, é importante que os pacientes saibam que a vareniclina tem alguns efeitos secundários que podem incluir náuseas, dor de cabeça, insônia e distúrbios gastrointestinais.

Devido a potenciais efeitos sobre o sistema cardiovascular, a vareniclina não pode ser administrada a doentes com problemas de coração pré-existentes, uma vez que existe risco de ataque cardíaco ou de um distúrbio do ritmo cardíaco. Pacientes com doenças do foro mental também são contra-indicados para a toma de vareniclina, uma vez que esta substancia pode desencadear tentativas de suicídio.

Cigarros electrónicos (e-cigarros) são mais seguros do que os cigarros tradicionais?

O uso de e-cigarros está, actualmente, a ser debatido. É claro que o vapor do e-cigarro contém substâncias menos cancerígenas e tóxicas do que o fumo do tabaco tradicional. É este facto que torna os e-cigarros mais "saudáveis" do que o fumo de tabaco tradicional. No entanto, o consumo deste tipo de produtos chama cada vez mais à discussão a questão do efeito da nicotina por si própria que, independente da dependência associada, é um perigo para a saúde.

Por este motivo o consumo a longo prazo de e-cigarros é prejudicial e deve ser evitado. A preocupação surge também em virtude da presença do ingrediente propilenoglicol.

Um caso controverso: o glicerol induz pneumonia lipóide?

A glicerina é incluída como nebulizador nos líquidos para e-cigarros. Além disso, ela está presente em muitos alimentos e até mesmo no corpo humano, em gorduras naturais. Trata-se de um intermediário em vários processos metabólicos. Na medicina encontra uso na terapia de glicerol de edema cerebral ou como um laxante. A ingestão oral é considerada segura.

No entanto, a revista Chest (Publicação oficial do colégio Americano de Fisícos do Pulmão) relatou que um paciente de 42 anos de idade que consumia e-cigarros, que vinha a sofrer, há sete meses, de falta de ar, tosse produtiva e febre. O paciente foi diagnosticado com pneumonia. Diversos antibióticos foram prescritos, porém sem qualquer efeito.

O que aconteceu é que depois que o paciente deixou de usar e-cigarros, todos os sintomas desapareceram. O artigo foi intitulado "Uma consequência inesperada do uso de cigarros eletrônicos." É de referir que o estudo apresentou algumas incongruências e que não ficou inequivocamente provada a relação do glicerol com a pneumonia. Contudo, a associação do cigarro eletrónico com a pneumonia, levantou várias questões quanto à segurança para saúde da utilização deste tipo de alternativa ao cigarro tradicional.

Propilenoglicol forma gases tóxicos quando aquecido

Propilenoglicol é um dos principais componentes do e-cigarro e serve como nebulizador. Na ficha de segurança do propilenoglicol pode ser encontrada a nota de que com aquecimento é possível que se formem gases tóxicos a partir da substância e que estes não devem ser inalados. Estes dados levantam questões quanto à utilização do composto como nebulizador.

Estudos mostraram a ocorrencia de irritação dos olhos, garganta e vias aéreas, causando um aumento do risco de asma em crianças. No entanto, deve ser lembrado que a nicotina, por si só, já atua no estreitamento das vias aéreas.

A influencia do propilenoglicol nos sintomas apresentados por quem usa e-cigarros deve ser o objectivo de uma discussão mais aprofundada. Alguns fabricantes, no entanto, advertem que os e-cigarros não devem ser utilizados em pacientes com vias respiratórias pré-danificadas. Isto é especialmente válido para os pacientes com DPOC (doença pulmonar obstrutiva critica), asma, bronquite (inflamação dos brônquios) e pneumonia. Este aviso deve ser olhado com especial atenção também pelos fumadores que desejam cessar o seu tabagismo fazendo uso de e-cigarro: muitos destes fumadores têm as vias aéreas sensibilizados e não poderiam usar os cigarros electrónicos como fonte de substituição da nicotina.

E-cigarros são ou não adequados?

A nicotina impede que muitos fumadores cessem o tabagismo. Como foi demonstrado que uma grande proporção de consumidores de cigarros não apresenta uma dependência directa de nicotina, o uso de e-cigarro acaba por surgir como uma imitação do hábito de fumar e continua, por esse motivo, a ativar o sistema de recompensa do organismo. Por este motivo, trabalhar um hábito desta forma, pode constituir uma metodologia bastante duvidosa. No entanto, alguns ex-fumadores relataram que os e-cigarros os ajudaram a excluir o vício das suas vidas. Contudo, é importante realçar que o benefício à cessação definitiva não foi estabelecido.

Contudo, as outras terapias de reposição de nicotina não devem ser desmerecidas: a verdade é que elas podem reduzir o desejo de fumar e os possíveis sintomas de abstinência. Além disso, o ato ritualístico de fumar acaba por ser combatido nestes casos. Por outro lado, a terapia de reposição de nicotina pode ser conduzida e medida com precisão, permitindo uma redução gradual dos níveis de nicotina no organismo.

Relativamente aos e-cigarros, é importante que os consumidores saibam que desde 2014 é possível encontrar mais de 350 artigos científicos e estudos sobre o assunto. No entanto, estas investigações carecem de dados sobre os efeitos a longo prazo do uso de e-cigarros. Neste sentido, algumas salvaguardas devem ser consideradas:

  • E-cigarros devem ser comercializado como um medicamento,
  • Os seus ingredientes e processos de fabricação devem ser objecto de orientações controladas,
  • A entrega para crianças e adolescentes deve ser proibida,
  • Sob as leis de proteção para não-fumadores, os e-cigarros devem (pelo menos por agora) ser tratados como cigarros convencionais.

Principais fatos sobre o tabagismo e o vício da nicotina

  • Existem 1,1 bilhão de usuários de tabaco no mundo. Esse número deverá aumentar para 1,6 bilhão nas próximas duas décadas.
  • A convenção mundial sobre o tabagismo realizada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para o controle da nicotina, lançou o primeiro tratado de saúde pública do mundo, é um dos tratados mais aceitos universalmente, com 176 partes (países) representando mais de 87% da população global.
  • A dependência da nicotina afeta a pobreza e o desenvolvimento. Nos países mais pobres, até 30% dos rendimentos são gastos em tabaco, reduzindo os fundos disponíveis para nutrição, educação e cuidados de saúde.
  • Pesquisas apontam que um fumante Português fuma em média 16 cigarros por dia e em média gastam 9 mil euros anualmente para sustentar o vício.
  • O fumante Brasileiro chega a fumar 18 cigarros por dia e a gastar uma média de 10 mil reais anuais para aquisição de cigarro.
  • 100 milhões de pessoas morreram de doenças relacionadas ao tabaco no século XX. Sem ação tomada, 1 bilhão de pessoas poderiam morrer neste século de doenças relacionadas ao tabaco.
  • Não existe um nível de segurança de exposição ao fumo de tabaco para fumantes passivos ou secundários.
  • Em adultos, o fumo passivo provoca doenças cardiovasculares e respiratórias graves, incluindo doença coronária e câncer de pulmão. Nos bebês, causa morte súbita. Em mulheres grávidas, provoca baixo peso ao feto ao nascer.
  • O tabaco mata até 50% de seus usuários.

O mundo não tem proteção contra o tabaco

  • Menos de 11% da população mundial está protegida por leis nacionais abrangentes ao antitabagismo.
  • Os serviços nacionais de saúde abrangentes que apoiam a cessação estão disponíveis em apenas 19 países, representando 14% da população mundial.
  • Apenas 19 países, que representam 15% da população mundial, cumprem as melhores práticas para advertências pictóricas, que incluem os avisos na língua local e cobrem uma média de pelo menos metade da frente e de trás dos maços de cigarros.
  • Nenhum país de baixa renda atende a este nível de melhores práticas. Quarenta e dois países, que representam 42% da população mundial, publicam advertências pictóricas.
  • Somente 19 países, que representam 6% da população mundial, alcançaram o maior nível de conquista na proibição da publicidade, promoção e patrocínio do tabaco.
  • Cerca de 38% dos países têm restrições mínimas ou inexistentes em matéria de publicidade, promoção e patrocínio do tabaco.
  • Apenas 27 países, representando menos de 8% da população mundial, têm taxas de imposto sobre o tabaco superiores a 75% do preço de varejo.
  • As receitas fiscais do tabaco são em média 154 vezes mais altas do que as despesas com o controle do tabagismo, com base nos dados disponíveis.

A epidemia do tabaco é generalizada

  • Quase 80% dos milhares de fumantes do mundo vivem em países de baixa e média renda.
  • O consumo de produtos com inclusão de nicotina está aumentando globalmente, embora esteja diminuindo em alguns países de renda alta e de renda média alta.

A epidemia do tabagismo devido ao vício da nicotina tem se espalhado globalmente e isso ocorre por conta de uma série de factores complexos com efeitos além das fronteiras, dentro das principais razões da propagação do vício estão: a liberalização do comércio; Investimento directo estrangeiro; Marketing global; Publicidade transnacional do tabaco; Promoção e patrocínio; E o movimento internacional de contrabando e cigarros falsificados.

Diante da crescente regulamentação e da maior conscientização dos riscos à saúde relacionados ao fumo em muitos países de alta renda, a indústria do tabaco está buscando mais mercados em países de baixa renda.

A epidemia do tabaco é um problema global que exige uma solução global.

Fontes:


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Publicado em 24 de Novembro de 2016.
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